terça-feira, 14 de outubro de 2025

Idoso morre após esperar 4 horas por exame; tomógrafos quebrados no Walfredo voltam a expor crise na saúde do RN


O fim de semana foi marcado por novas denúncias de caos no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal. A unidade, principal referência de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, enfrenta mais uma crise: os dois tomógrafos estão quebrados, situação que teria contribuído para a morte de um paciente de 80 anos.

Nas redes sociais, Aryedna Lima relatou o drama vivido pela família após o sogro sofrer uma queda e necessitar de uma tomografia urgente.

Acabei de perder meu sogro porque os dois tomógrafos daqui estão quebrados”, escreveu.

Ela contou que passou o dia inteiro tentando conseguir o exame e só conseguiu realizá-lo no Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim — já tarde demais. O atraso no diagnóstico teria agravado o quadro clínico do idoso, que perdeu muito sangue e não resistiu.

“O descaso desse desgoverno matou. Governo assassino! A culpa é sua, @fatimabezerra13”, desabafou Aryedna.

Mais de 4 horas de espera, fratura exposta e morte antes da cirurgia

O paciente, Damião da Silva, morador de Campo Grande, foi transferido para Natal após um acidente de bicicleta.

Com os equipamentos de tomografia fora de operação, ele aguardou quatro horas por exame, deitado em uma maca, com fratura exposta nas costas. A família afirma que o idoso morreu antes mesmo de ser operado.

Walfredo Gurgel pede socorro. O descaso desse desgoverno mata… Fátima Bezerra, a culpa é sua”, reforçou Aryedna Lima, em nova publicação que gerou comoção e revolta.

O caso reacendeu o debate sobre as condições da rede pública de saúde potiguar e a fragilidade estrutural do Walfredo Gurgel, hospital que há anos enfrenta falta de equipamentos e superlotação.

A direção do hospital confirmou que os dois tomógrafos estão inoperantes. Um deles, com nove anos de uso, depende da chegada de peças importadas; o outro, mais antigo, com 15 anos, chegou a funcionar brevemente nesta segunda-feira (13), mas voltou a apresentar falhas.

Há fragilidade na estrutura”, admitiu o diretor da unidade, Geraldo Neto, destacando a urgência na substituição dos aparelhos.

Juntos, os tomógrafos realizam mais de 4 mil exames por mês, essenciais para diagnósticos de emergência. O hospital aguarda a liberação de R$ 2,5 milhões do governo estadual para a compra de um novo equipamento — sem previsão de entrega ou instalação.

Até o momento, o Governo do Estado e a Secretaria de Saúde (Sesap) não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.

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