quinta-feira, 9 de abril de 2026

Governo Sinaliza Aumento do Etanol na Gasolina


O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, propôs a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina, passando de 30% para 32%. A medida, prevista para implementação no primeiro semestre de 2026, visa impulsionar a demanda pelo biocombustível, reduzir a dependência de gasolina importada e fortalecer a segurança energética do país, com projeções de grande impacto na economia brasileira e nos esforços de sustentabilidade.

Segundo análises de Maurício Muruci, especialista da Safras & Mercado, cada ponto percentual adicional na mistura representa um acréscimo de aproximadamente 840 milhões de litros na demanda por etanol anidro ao longo de 12 meses. Com a elevação de dois pontos percentuais, espera-se que o mercado absorva cerca de 1,68 bilhão de litros adicionais do biocombustível anualmente.

Este novo volume soma-se à elevação anterior, implementada em agosto de 2025, quando a mistura passou de 27% para 30%. Somando ambos os ajustes, o aumento total na demanda por etanol anidro pode alcançar cerca de 4,2 bilhões de litros em um ano, superando as projeções iniciais de produção do anidro, que giravam em torno de 11,5 bilhões de litros.

O momento da medida é considerado estratégico, coincidindo com o início da safra de cana-de-açúcar, o que permite às usinas reorientarem o mix de produção. “O aumento da demanda por anidro tende a direcionar mais cana para o etanol, reduzindo a oferta de açúcar e elevando os preços de ambos os produtos”, detalha Muruci.

Com a nova configuração, a proporção da cana-de-açúcar destinada ao etanol deve subir para aproximadamente 54% na safra atual, em contraste com os 46% do ciclo anterior, quando a produção de açúcar apresentava maior rentabilidade. Agora, o etanol retoma a competitividade, com uma vantagem de preço estimada entre 30% e 35% sobre o açúcar.

A mudança impacta diretamente o equilíbrio entre os combustíveis. O aumento da mistura deve reduzir o consumo nacional de gasolina, equivalente a pouco mais de um mês do consumo total, conforme cálculos do analista. Além dos benefícios econômicos, a medida proporciona ganhos ambientais significativos, ao expandir o uso de um combustível renovável e menos poluente, e reforça a segurança energética ao diminuir a necessidade de importações.

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