quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Empresa de Vorcaro fatura R$ 303,6 milhões em contratos com governo Lula


A fabricante de insulinas Biomm, cujo principal acionista é o banqueiro Daniel Vorcaro, fechou ao menos três contratos com o Ministério da Saúde em 2025, totalizando R$ 303,65 milhões. O fornecimento envolve insulina humana e glargina, com entrega programada ao SUS e parcerias com instituições como Fiocruz, Wockhardt e Fundação Ezequiel Dias, segundo informações do Poder360.

Entre os acordos, estão: R$ 142 milhões para insulina humana em junho, R$ 131 milhões para insulina glargina em novembro, e mais R$ 30,65 milhões para 2,01 milhões de doses de glargina, com prazo máximo de entrega até abril de 2026. O contrato prevê validade de 12 meses, prorrogável por até 10 anos.

Mesmo com o banco Master, fundado por Vorcaro, passando por uma grave crise de liquidez e sendo liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, o empresário manteve contato frequente com o Planalto. Registros apontam ao menos quatro visitas de Vorcaro ao Palácio do Planalto em 2023 e 2024, incluindo um encontro fora da agenda oficial com o presidente Lula em dezembro de 2024.

A relação entre Vorcaro e o governo também já tinha sido evidenciada durante a inauguração da fábrica da Biomm em Nova Lima (MG), em abril de 2024. Embora Vorcaro não tenha comparecido, Lula esteve com outros acionistas da empresa, consolidando o vínculo entre a fabricante de insulina e o Executivo federal.

Decolagens no Aeroporto de Natal diminuem 12,5% em 2025, diz Anac


O número de decolagens no Aeroporto de Natal caiu 12,5% em 2025, passando de 9.415 para 8.236 voos, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A redução foi puxada pelos voos domésticos, que recuaram 13,4%. Já as operações internacionais ficaram estáveis.

Apesar da queda nos voos, o volume de passageiros se manteve praticamente estável, com 2,4 milhões ao longo do ano, alta de 1% em relação a 2024. A oferta de assentos, porém, caiu 5,8%.

A Zurich Airport Brasil atribuiu a redução a ajustes na malha aérea, como o fim de rotas diretas da Latam para Congonhas e Galeão, menos frequências para Guarulhos e Brasília e a suspensão da rota Natal–Fernando de Noronha pela Azul.

Master queria Lewandowski em seu conselho e pagou por consultoria já sendo ministro


O contrato do Banco Master com o escritório de Ricardo Lewandowski objetivava recrutar o ministro aposentado do STF para seu conselho de administração, mediante R$250 mil mensais, totalizando de R$6,5 milhões. O contrato, a pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fez Lewandowski participar de duas reuniões, mas sua posse no Ministério da Justiça mudou tudo. Durante 21 meses os R$250 mil foram pagos, até a Polícia Federal prender Daniel Vorcaro.

Tô fora

A assessoria de Lewandowski garantiu que o convite para integrar o conselho do Master não aconteceu e que ele nunca aceitaria.

Sem ligação

Amigos de Lewandowski juram que a demissão foi por “motivo pessoal”, mas ele confessou a Lula o temor de o contrato constranger o governo.

Peso morto

Lewandowski se queixa do enfraquecimento do cargo, sem que o governo se empenhasse na aprovação das suas propostas, daí a saída.

O que sobrou

Ele sustenta que o contrato milionário, na pessoa física, não seria ilegal. Mas o Master o queria e não ao escritório tocado pelos filhos.

Oposição em Mossoró anuncia pedido de CEI após operação da PF envolvendo gestão municipal

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A bancada de oposição da Câmara Municipal de Mossoró anunciou, nesta quarta-feira (28), a intenção de instalar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para acompanhar as investigações da operação da Polícia Federal deflagrada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), que apura suspeitas de desvio de recursos públicos no Rio Grande do Norte. O posicionamento foi apresentado em coletiva concedida na sede do Legislativo municipal.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em sete municípios potiguares, incluindo Mossoró. Na cidade, uma das diligências ocorreu na residência do prefeito Allyson Bezerra, fato que motivou o pronunciamento dos parlamentares e a defesa de uma apuração no âmbito do Poder Legislativo local.

Participaram da coletiva os vereadores Cabo Deyvison (MDB), líder da oposição; Jailson Nogueira (PL); Wiginis do Gás (União Brasil); Marleide Cunha (PT) e Plúvia Oliveira (PT). O grupo informou ainda contar com o apoio do vereador Mazinho do Saci (PL) para formalizar o pedido de criação da comissão.

Moraes ‘passa a faca’ e suspende benefício a funcionários dos Correios


O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o pagamento de um crédito extra de fim de ano — conhecido como “vale-peru” — aos funcionários dos Correios.

A decisão, tomada de forma liminar (provisória e urgente), interrompe benefícios que haviam sido determinados pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), mas que, segundo a empresa, poderiam gerar um impacto financeiro de quase R$ 2 bilhões.

A medida atende a um pedido da própria estatal, que atravessa um processo de reestruturação financeira. Os Correios argumentaram que o TST excedeu seu poder ao conceder benefícios que superam as garantias da CLT e que só deveriam ser renovados por meio de negociação direta entre as partes.

Além do abono do “vale-peru” ou “vale Natal”, a decisão de Moraes atingiu outras cláusulas consideradas “generosas” pela gestão da companhia. Confira os pontos principais:
  • Vale-Peru de R$ 2,5 mil: o benefício seria pago em duas parcelas (setembro de 2025 e janeiro de 2026), com um custo estimado de R$ 197,2 milhões.
  • Gratificação de férias: o TST previa um adicional de 70%, valor bem acima dos 33% assegurados pela Constituição e pela CLT. O impacto seria de R$ 272,9 milhões.
  • Hora extra tripla: pagamento de 200% de adicional para trabalho em fins de semana e feriados, enquanto a lei prevê 100%. Custo anual: R$ 17 milhões.
  • Plano de saúde: Moraes suspendeu o trecho que obrigava os Correios a serem “mantenedores” do plano, arcando com todos os riscos e dívidas. O modelo atual deve ser de “patrocinador”, onde a empresa contribui, mas não assume o risco total da operação.
A manutenção do modelo de plano de saúde era a maior preocupação da empresa. Conforme apurado pela Folha, essa cláusula isoladamente representaria um custo extra de R$ 1,45 bilhão por ano, além de exigir uma reserva contábil de R$ 2,7 bilhões.

Polícia Federal expõe “matemática da propina” de Allyson na corrupção


De acordo com a PF, diálogos interceptados entre empresários do setor farmacêutico detalham com precisão o funcionamento do esquema e apontam o prefeito como beneficiário direto de percentuais fixos sobre contratos públicos. Em uma das conversas, o empresário Oseas Monthalggan, sócio da distribuidora de medicamentos DISMED, descreve o que chamou de “a matemática de Mossoró”.

“Tem uma ordem de compra de quatrocentos mil. […] Ele entrega duzentos, tudo a preço de custo.

Dos duzentos, ele pega trinta por cento. Sessenta. Aqui ele comeu sessenta mil”, diz Oseas, em diálogo captado em maio de 2025. O “ele” em questão é Allyson Bezerra.

Na sequência, o empresário detalha a divisão final dos valores e cita nominalmente o prefeito: “Dos 130 nós temos que pagar 100 mil a Allyson e a Fátima, que é 10% de Fátima e 15% de Allyson. Só ficou 30 mil pra empresa”, descreve a decisão que determinou a operação da PF, assinada pelo Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira.

Para a Polícia Federal, “o contexto geral destas conversas deixa claro que o ‘Allyson’ mencionado é o prefeito de Mossoró”, não havendo ambiguidade quanto ao destinatário das vantagens indevidas.

Outro diálogo interceptado pela PF reforça a suspeita de que havia um percentual previamente definido destinado ao prefeito. Em escuta ambiental realizada nas dependências da DISMED, Oseas volta a tratar da divisão da propina: “Quinze do homem e dez disso aí, vezes vinte e cinco por cento”.

Segundo os investigadores, “‘o homem’ é uma referência indireta a Allyson Bezerra, utilizada como forma de identificação velada”. Para a PF, a repetição da expressão e o contexto das conversas afastam qualquer interpretação genérica.

Durante a captação ambiental, o nome de Allyson foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe como ladrão.

“Ah, esse prefeito é ladrão, quem rouba é ele, pode falar, não me importa não!”, aponta investigação atribuindo a Oseas.

A Polícia Federal é explícita ao posicionar o prefeito e seu vice, Marcos Bezerra (PSD), no comando da engrenagem criminosa. A Controladoria-Geral da União (CGU) reforçou essa leitura ao informar que “todas essas práticas ilícitas teriam sido encabeçadas pelo alto escalão das gestões municipais”.

“Allyson Bezerra e Marcos Bezerra operavam o topo do esquema, recebendo propina em percentuais definidos sobre os contratos firmados com a DISMED”, afirma a investigação.

Especialista aponta risco de inelegibilidade para Ezequiel em eventual posse no Governo do RN

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O advogado Felipe Cortez avaliou, em entrevista ao programa Repórter 98, nesta terça-feira (27), os possíveis desdobramentos jurídicos e políticos caso o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), Ezequiel Ferreira, assuma o Governo do Estado em um cenário de vacância simultânea da governadora e do vice-governador.

Segundo o especialista, a Constituição prevê que, ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do mandato, a Assembleia Legislativa deve realizar uma eleição indireta no prazo legal. Nesse contexto, Ezequiel, como presidente da Casa, poderia ser chamado a assumir o Executivo de forma temporária para conduzir o processo.

“A Assembleia Pública faz a eleição no dia 4 e acabou-se. Se a governadora e o vice renunciarem no último dia e, no dia 5 de abril, Ezequiel assume, há quem diga que ele não fica inelegível, porque seria uma substituição automática, não um novo governador, mas o condutor do processo”, explicou.

Felipe Cortez, no entanto, ponderou que esse entendimento não é pacífico. Para ele, existe o risco concreto de inelegibilidade, especialmente diante da instabilidade das decisões da Justiça Eleitoral. “Há quem diga que ele não fica inelegível. Eu entendo que ele fica. Se fosse meu cliente, eu diria: não assuma”, afirmou.

O advogado destacou que o principal problema está na falta de segurança jurídica. De acordo com ele, a jurisprudência dos tribunais superiores, especialmente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem se mostrado “pendular”, com mudanças frequentes de entendimento. “Eu não tenho segurança jurídica para dizer a uma pessoa que assuma um governo do Estado. Hoje você pode ter decisões dizendo que é permitido, amanhã o tribunal muda a jurisprudência e a pessoa perde o mandato”, alertou.

Felipe Cortez exemplificou o risco ao citar a possibilidade de Ezequiel assumir o governo, convocar a nova eleição, disputar posteriormente um cargo eletivo e, após eleito, ser alvo de uma ação que resulte na perda do mandato. “Isso já aconteceu em outros estados. Em Alagoas, por exemplo, o presidente da Assembleia optou por não assumir”, lembrou.

Sobre a linha sucessória, o advogado esclareceu que Ezequiel não seria obrigado a renunciar à presidência da ALRN caso se recusasse a assumir o governo. “Ele tem uma justificativa jurídica plausível. O risco de inelegibilidade é um motivo justo. Você não pode simplesmente dizer ‘não quero’, mas pode justificar juridicamente, e nesse caso ele teria”, concluiu.

Prefeito de Ielmo Marinho é preso em operação da Polícia Civil contra organização criminosa

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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira (28), a Operação Securitas, que resultou na prisão em flagrante do prefeito de Ielmo Marinho. A ação investiga a atuação de uma organização criminosa com a participação de agentes políticos e integrantes das forças de segurança.

Segundo a Polícia Civil, a operação foi executada nos municípios de Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante, Natal e Parnamirim, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão. As apurações indicam que o prefeito é apontado como líder do grupo investigado, que teria estrutura organizada para intimidar adversários políticos e praticar outros ilícitos, contando com influência político-administrativa e um núcleo armado.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, o gestor municipal foi preso após tentar ocultar provas. Conforme a investigação, ele teria arremessado para fora da residência uma quantia em dinheiro e um aparelho celular no momento da ação policial.

A Polícia Civil informou que o inquérito apura crimes como:
  • organização criminosa;
  • constituição de milícia privada;
  • porte ilegal de arma de fogo;
  • tentativa de ocultação de provas.

As diligências também buscam identificar outros envolvidos, entre eles parlamentares e um policial militar, cujos vínculos com o grupo seguem sob análise.

O nome da operação, “Securitas”, tem origem no latim e significa segurança. De acordo com a Polícia Civil, a denominação faz referência ao objetivo da ação, voltado ao enfrentamento de grupos armados, à preservação da ordem pública e à proteção das instituições democráticas.

Escritório de Lewandowski “escondeu” do Governo o contrato com o Banco Master

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O Governo Lula, simplesmente, não sabia que o escritório de Ricardo Lewandowski tinha um contrato de R$ 5 milhões com o Banco Master, enquanto ele era ministro da Justiça e Segurança Pública.

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negaram que tinham conhecimento prévio sobre o contrato firmado pelo ex-ministro.

Nos bastidores, ministros do Planalto buscam minimizar o episódio após revelações de que o escritório de Lewandowski prestou consultoria ao banco enquanto ele ainda estava no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A existência de um contrato com o Banco Master é apontado por integrantes do governo como um dos motivos que apressou o pedido de demissão de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça. Ele deixou a pasta no último dia 10 de janeiro.

Com a repercussão do caso, Lewandowski divulgou nota em que confirma que prestou serviços ao banco, mas sem detalhar o período de contrato.

No Planalto, ministros negam que Lula teve conhecimento do contrato no momento da nomeação de Lewandowski e defendem não haver conflito de interesse no caso, uma vez que o vínculo teria sido encerrado antes da posse no MJ.

Em país sério, caso Master derrubaria o governo, diz Mourão

                                                                                                                  Foto: Divulgação

O senador Hamilton Mourão (Rep-RS) afirmou que o Brasil vive um processo de “normalização e minimização de absurdos” após o enfraquecimento das políticas anticorrupção, ao comentar as revelações sobre contratos firmados entre o Banco Master e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.

Segundo Mourão, em um país com instituições mais rígidas, o episódio teria potencial para provocar uma grave crise política, “talvez até a queda do governo”.

“O caso do Banco Master, em um país sério, iria causar uma verdadeira hecatombe. Mas aqui, lamentavelmente, vê-se que o banco pagava muita gente do governo, que hoje busca enterrar o assunto”, declarou o senador.

Para Mourão, princípios constitucionais da administração pública vêm sendo sistematicamente ignorados. “Cadê a impessoalidade? Cadê a publicidade? Cadê a moralidade?”, questionou.

As declarações ocorrem após reportagem do Metrópoles, revelar que Ricardo Lewandowski recebeu cerca de R$ 6,5 milhões do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Desse total, aproximadamente R$ 5,25 milhões teriam sido pagos enquanto Lewandowski já exercia o cargo de ministro da Justiça no governo do Lula (PT).

De acordo com a reportagem, Lewandowski foi contratado pelo Banco Master para prestar serviços de “consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”, mediante pagamento mensal de R$ 250 mil.

O contrato foi firmado em 28 de agosto de 2023 e os pagamentos seguiram até setembro de 2025, período no qual ele permaneceu quase dois anos no comando do Ministério da Justiça, pasta à qual a Polícia Federal é subordinada.

Ainda segundo as informações divulgadas, o contrato não teria sido rescindido após a nomeação de Lewandowski para o ministério, em janeiro de 2024. Como consultor, ele participava do Comitê Estratégico do Banco Master, embora, conforme o site, tenha comparecido a apenas duas reuniões.

A reportagem aponta também que a contratação de Lewandowski pelo banco ocorreu a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que teria articulado ainda a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pela mesma instituição financeira.

Ao assumir o cargo no governo, Lewandowski deixou o escritório de advocacia do qual eram sócios seu filho, Enrique Lewandowski, e sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski.

Para Mourão, o caso simboliza um ambiente de tolerância com práticas que, em sua avaliação, deveriam ser rigorosamente apuradas.

“Não se trata apenas de um contrato privado, mas de uma relação que envolve conflito de interesses e atinge diretamente a credibilidade das instituições”, afirmou o senador.

Conversas interceptadas pela PF citam suposto repasse de R$ 60 mil para Allyson Bezerra

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A megaoperação que teve como um dos alvos o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ganhou destaque nacional e está repercutindo na mídia desde as primeiras horas desta terça-feira (27). Em uma reportagem da TV Globo, a repórter Amanda Melo revelou detalhes de conversas acessadas pelos investigadores, e que apontam para um suposto repasse de propina em pagamento de um contrato no valor de R$ 400 mil.

Dos valor total da ordem de pagamento, a investigação aponta que apenas R$ 140 mil foi, de fato, destinado ao objeto do contrato, que é a compra de materiais médicos destinados a hospitais públicos. O resto do dinheiro teria sido dividido em comissão entre a empresa, uma mulher ainda não identificada, e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.

O nome do político mossoroense surgiu em diálogos interceptados entre sócios de uma empresa investigada. De acordo com o apurado pela polícia, além dos R$ 140 mil usados para a compra dos insumos hospitalares, outros R$ 130 mil seriam destinados como comissão para os sócios, R$ 40mil para uma mulher ainda não identificada, R$ 30 mil para a empresa e R$ 60 mil destinados ao prefeito de Mossoró.

Operação Mederi

O esquema é alvo da Operação Mederi, deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU), e que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados por desvios de recursos públicos na saúde em cidades do Rio Grande do Norte. Um dos alvos de mandados foi o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que teve um celular, um computador e dois HDs apreendidos em sua residência.

A investigação aponta que o esquema funcionava por meio de contratos para a compra de materiais médicos destinados a hospitais públicos. Segundo a PF, foram encontrados indícios de superfaturamento e pagamento por produtos que nunca chegaram a ser entregues. Em um dos endereços visados, os agentes localizaram dinheiro em espécie escondido dentro de uma caixa de isopor.

A defesa de Allyson Bezerra afirmou, por meio de nota, que não há qualquer elemento que vincule pessoalmente o prefeito ao caso e ressaltou que ele não sofreu medidas restritivas, permanecendo no exercício do cargo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Famigerada COP30: TCU denuncia sobrepreços de até 1.000% em licitações


O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades graves nas licitações da COP30, realizada em Belém no ano passado, com sobrepreços de até 1.000% em relação aos valores de mercado. As falhas envolvem contratos das zonas Verde e Azul, organizadas por empresas contratadas para o evento internacional.

O relatório do ministro Bruno Dantas aponta abuso de posição dominante e violação aos princípios de economicidade e moralidade administrativa, especialmente em itens como mobiliário.

Segundo o TCU, a falta de tetos de preços e mecanismos de controle permitiu que empresas explorassem de forma predatória o mercado criado por contratos públicos.

As empresas envolvidas — Consórcio Pronto RG (Zona Verde) e DMDL Ltda (Zona Azul) — foram contratadas pela Secop, que por sua vez contou com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) para conduzir as licitações.

Apesar do relatório do TCU apontar falhas e sobrepreços, a Secop disse que as recomendações visam apenas “aprimorar contratos”, mantendo seu compromisso com a legalidade.

O TCU reforça que os argumentos da OEI sobre custos logísticos e segregação de fluxos financeiros são frágeis. Para o tribunal, permitir sobrepreços desse tamanho em contratos públicos é um ataque direto à moralidade administrativa e ao interesse do contribuinte.

A denúncia inicial partiu de parlamentares da oposição ao governo Lula, que já haviam alertado para indícios de subfaturamento e revenda superfaturada de serviços e espaços.

CFM ameaça barrar 13 mil formandos de Medicina: “Risco à vida do brasileiro”


O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que mais de 13 mil estudantes de Medicina recebam registro profissional mesmo com diploma em mãos. A justificativa é clara: nota insuficiente no Enamed, exame nacional que avalia a formação médica, que apontou falhas graves em quase um terço dos formandos.

Dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram na faixa considerada insatisfatória, e o CFM alerta para o risco à população. “São mais de 13 mil graduados que podem atender a população sem competências mínimas. Isso é assustador”, afirmou o presidente José Hiran Gallo, defendendo também a criação do Profimed, exame nacional de proficiência similar ao da OAB.

O Inep, responsável pelo Enamed, admitiu inconsistências na divulgação dos resultados às faculdades, com divergência entre a nota técnica oficial (60 pontos) e o sistema e-MEC (58 pontos).

Isso derrubou conceitos de instituições que esperavam nota 3 para 2, sujeitas a punições como suspensão de vagas e bloqueio do Fies. Estudantes, segundo o Inep, não foram prejudicados individualmente.

No RN, a UFRN lidera com nota máxima (5), seguida por UERN, Ufersa e UnP com conceito 4. A Facene, de Mossoró, amarga nota 2, ficando na lista de alerta do MEC.

O CFM e especialistas alertam: a expansão acelerada e desqualificada de cursos, principalmente privados, está formando médicos despreparados — e, na prática, colocando a saúde da população em risco.

Vorcaro nega delação premiada e mantém blindagem total


A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou com força os rumores de delação premiada. Em nota divulgada nesta quarta-feira (21), o advogado afirmou que “não existe qualquer proposta ou negociação” sobre o assunto, formal ou informalmente.

Segundo a defesa, Vorcaro mantém sua inocência e exerce plenamente o direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais. “Confiamos que os fatos serão esclarecidos pelo devido processo legal”, reforça a nota.

Os boatos sobre uma possível delação começaram a circular após o advogado Walfrido Warde deixar a defesa criminal do banqueiro. Warde atuava com Vorcaro em processos cíveis e, desde a Operação Compliance Zero, havia assumido a defesa criminal nas investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Master.

Mesmo com a saída do advogado e a pressão das investigações, Vorcaro segue blindado, mantendo sigilo absoluto sobre suas estratégias jurídicas. No mercado e entre aliados, a mensagem é clara: não há negociação de bastidores, apenas defesa firme dentro da lei.

TSE acelera mudanças e põe regras das eleições de 2026 em debate público


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta semana 12 minutas com propostas de alterações nas normas que vão reger as eleições de 2026, abrindo discussão sobre temas sensíveis como calendário eleitoral, regras da pré-campanha, pesquisas, financiamento e a responsabilidade das plataformas digitais sobre conteúdos que atacam o processo eleitoral.

Desde a última segunda-feira (19), cidadãos, especialistas e entidades podem enviar sugestões por meio de um formulário eletrônico disponibilizado pelo próprio TSE. O prazo para participação segue aberto até o dia 30 de janeiro.

Encerrada essa etapa, as contribuições consideradas mais relevantes serão analisadas e debatidas em audiências públicas marcadas para acontecer entre os dias 3 e 5 de fevereiro. Pela legislação eleitoral, todas as resoluções precisam ser aprovadas pelo plenário da Corte até 5 de março do ano do pleito.

Calendário eleitoral e datas da votação

O cronograma das eleições também aparece entre os pontos destacados nas minutas. O primeiro turno das eleições de 2026 está previsto para o dia 3 de outubro, conforme determina a Constituição, que fixa a votação no primeiro domingo do mês.

Já o segundo turno deve ocorrer em 31 de outubro, no último domingo. Nessa data, os eleitores irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Conteúdos digitais e responsabilidade das plataformas

Um dos temas mais sensíveis das propostas envolve o combate a conteúdos que deslegitimem o processo eleitoral nas redes sociais. As minutas foram assinadas pelo vice-presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que defende regras mais rígidas para a remoção dessas publicações.

A proposta prevê que as próprias plataformas sejam obrigadas a retirar conteúdos considerados ofensivos ao sistema eleitoral, sem a necessidade de decisão judicial prévia. Atualmente, a responsabilização ocorre apenas quando há descumprimento de ordens da Justiça Eleitoral.

Pré-campanha, IA e financiamento partidário

No campo da pré-campanha, as sugestões ampliam as possibilidades de atuação dos pré-candidatos nas redes sociais, permitindo transmissões ao vivo, desde que não haja pedido explícito de voto nem menção direta à candidatura. Também foram definidos critérios para proteger críticas à administração pública feitas por cidadãos, inclusive com impulsionamento pago, desde que não tenham viés eleitoral.

As regras sobre inteligência artificial permanecem inalteradas. O TSE mantém as diretrizes aprovadas em 2024, incluindo a proibição do uso de deep fakes, que manipulam vídeos ou áudios para distorcer falas ou imagens.

Já no financiamento eleitoral, uma das minutas autoriza partidos a alterarem os critérios de distribuição de recursos até 30 de agosto do ano eleitoral, desde que a mudança seja justificada e aprovada pela maioria do diretório nacional.

Obras de duplicação da BR-304 começam nesta quinta-feira


As obras de duplicação da BR-304 no Rio Grande do Norte têm início nesta quinta-feira (22), com a assinatura da ordem de serviço da primeira etapa e o lançamento do edital do segundo trecho. A solenidade será conduzida pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, e pela governadora Fátima Bezerra, no entroncamento da BR-304 com a RN-233, em Assu, a partir das 10h.

A primeira fase do projeto contempla 57,6 quilômetros de extensão, ligando o Vale do Açu à região de Mossoró, com investimento estimado em R$ 376 milhões. Já o segundo trecho previsto no edital liga o fim da Reta Tabajara, em Macaíba, ao município de Riachuelo, no Agreste Potiguar, em um percurso de 38,1 quilômetros.

A duplicação da BR-304 integra o plano estadual de melhoria da malha viária. De acordo com o Governo do Estado, a iniciativa está inserida em um conjunto de obras que prevê, até o final de 2026, a recuperação de mais de 2 mil quilômetros de rodovias estaduais.

A BR-304 é considerada um dos principais corredores rodoviários do Rio Grande do Norte, por conectar regiões estratégicas do interior ao litoral e concentrar parte expressiva do tráfego de cargas e passageiros no estado.

Álvaro diz que candidatura é “o maior desafio da vida”

                                                                                                                                       Foto: Divulgação

O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) afirmou que assumir a pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte por um bloco de oposição representa “o maior desafio” de sua vida e declarou que, caso eleito, pretende governar o Estado “a quatro mãos”, junto com o senador Rogério Marinho (PL). As declarações foram feitas durante o ato político nesta quarta-feira 21 em que Rogério anunciou a retirada de sua pré-candidatura e o apoio ao ex-prefeito.

“Esse momento é de profunda reflexão, é de profunda emoção, porque eu assumo agora, aqui, ao lado de vocês, o maior desafio da minha vida, que é mudar, consertar o Estado quebrado”, afirmou Álvaro, ao reconhecer o cenário fiscal e administrativo do RN. Ele acrescentou que, apesar das incertezas, mantém confiança no grupo político formado. “Mesmo com essa apreensão pelo que virá, mesmo com essas dúvidas e incertezas que tomam conta de todos nós pela situação do Estado, mesmo assim, eu estou confiante”, disse.

Na avaliação do ex-prefeito, a confiança está ancorada na composição da chapa e nas lideranças que integram o projeto. Álvaro citou nominalmente o senador Styvenson Valentim (PSDB), elogiando sua atuação parlamentar. “Nós temos ao nosso lado esse grande senador da República, que é o senador Stevenson Valentim, que trouxe um modo novo de fazer política, que trouxe uma maneira inovadora para apresentar a população do Rio Grande do Norte”, declarou. Segundo ele, Styvenson tem perfil fiscalizador: “Um senador que cobra, um senador que acompanha, um senador que verifica passo a passo, milímetro a milímetro, para onde estão indo os recursos que ele envia”.

Ainda no mesmo tom, Álvaro reforçou que espera rigor na aplicação das verbas federais destinadas ao Estado. “Pode ter certeza de que todos os recursos que vierem para o Rio Grande do Norte serão bem empregados”, afirmou.

O ex-prefeito também fez elogios a Rogério Marinho, destacando o reconhecimento nacional do senador. “Não é à toa que Flávio Bolsonaro, outro senador da República, candidato a presidente do Brasil, dá um depoimento tão espontâneo, tão verdadeiro, tão sincero, como o que ele deu acerca do nosso senador Rogério Marinho”, disse, em referência à manifestação de apoio de Flávio Bolsonaro.

Ao projetar a disputa eleitoral, Álvaro afirmou que o grupo irá às ruas unido. “É com esse time que nós vamos para as ruas”, declarou. Ele também citou o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), destacando a continuidade administrativa na capital. “Assumiu a Prefeitura Municipal, está fazendo uma boa gestão e tem conseguido viabilizar recursos e tem dado continuidade à nossa gestão, que mudou Natal”, disse.

Durante o discurso, o ex-prefeito fez um balanço de ações realizadas enquanto esteve à frente da Prefeitura de Natal, citando mudanças urbanísticas e obras estruturantes. Ele mencionou a revisão do Plano Diretor, a engorda da praia de Ponta Negra, a entrega de 2.500 apartamentos populares e investimentos em infraestrutura viária. “Entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão foram investidos na cidade de Natal para mudar, modernizar e fazer essa cidade avançar e retomar os caminhos perdidos do desenvolvimento local”, afirmou.

Álvaro ressaltou que as intervenções realizadas na capital potiguar servem como referência para o projeto estadual. “Vencendo as eleições, vocês podem esperar, podem aguardar, podem me cobrar, que nós vamos fazer tudo o que pudermos fazer. Eu vou usar toda a inteligência que Deus me deu, eu vou fazer tudo o que for possível, mas, se Deus quiser, nós vamos mudar o Estado”, declarou.

No encerramento, o ex-prefeito agradeceu publicamente o gesto de Rogério Marinho ao abrir mão da pré-candidatura. “Eu sei que ele realmente tinha um sonho, um sonho de infância… e ele teve esse sonho, mas agora abre mão deste sonho em virtude de um projeto maior em favor do Brasil e de outro projeto grande com esse grupo em favor do Rio Grande do Norte”, declarou.

Henrique Alves endossa críticas ao MDB e diz que entrega de cargos é “questão ética”

                                                                                                                                    Foto: Divulgação

O ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves utilizou suas redes sociais para disparar críticas à atual condução do MDB no Rio Grande do Norte. Ao comentar o cenário político local, o ex-líder da legenda endossou a tese de que o partido deve entregar os cargos que ocupa na gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), classificando a medida como uma “questão ética” após o anúncio de rompimento político.

A reação de Henrique Alves ocorreu em resposta a uma fala da deputada estadual Isolda Dantas (PT), que cobrou publicamente que o MDB e o vice-governador Walter Alves devolvessem os espaços ocupados na administração estadual. Henrique classificou a crítica da parlamentar como “desnecessária”, concordando com o mérito da cobrança. “Com o rompimento anunciado ontem, essa entrega passa a ser questão ética que a política exige! Seria trágico se não fosse cômico! Aguardar, Deputada!”, escreveu.

Além do embate sobre os cargos no governo estadual, Henrique Alves publicou um desabafo sobre o que considera um declínio da identidade histórica do partido no RN. Para contextualizar sua crítica, ele resgatou imagens históricas da legenda, citando figuras como o fundador Roberto Furtado e o ex-governador Garibaldi Alves, pai do vice-governador Walter Alves.

Segundo o ex-deputado, o MDB potiguar está se distanciando de suas raízes. “MDB RN vai perdendo seu legado, sua história, sua coragem, sua saudade e esperança”, afirmou. Ele destacou que as lideranças do passado eram responsáveis por um sentimento de “luta, coerência e respeito”, finalizando com a frase: “MDB, quem te viu, quem te vê!”.

Álvaro Dias é definido como candidato da direita ao Governo do RN

                                                                                                                                                Foto: Divulgação

O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias foi definido como o nome do campo da direita para disputar o Governo do Rio Grande do Norte. A escolha resultou de uma reunião entre Álvaro e os senadores Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB), que alinhou o entendimento em torno de uma candidatura única para liderar o projeto político do grupo no pleito estadual.

A definição, que vinha sendo tratada como possibilidade desde a terça-feira (20), foi apresentada publicamente durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (21), na sede do PL, em Natal. O encontro reuniu, além de Álvaro, Rogério e Styvenson, dirigentes do partido e o prefeito da capital, Paulinho Freire (União Brasil).

Durante a coletiva, outras definições do grupo político foram anunciadas:
  • Nina Souza, vereadora licenciada e secretária municipal de assistência social, será candidata a deputada federal pelo PL;
  • Styvenson Valentim vai para disputa pela reeleição;
  • Rogério Marinho vai fazer a coordenação da candidatura nacional de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A confirmação do nome de Álvaro Dias ganhou corpo após Rogério Marinho, que era citado como pré-candidato ao Executivo estadual, abrir mão da disputa. A mudança ocorreu após convite para integrar a coordenação da campanha nacional de Flávio Bolsonaro, o que redesenhou a estratégia do grupo para as eleições de 2026. O próprio Flávio divulgou um vídeo com um “apelo” para que Rogério participe diretamente da articulação nacional.

Com o novo arranjo, Álvaro passa a ocupar a posição de “cabeça de chapa” da direita no Estado. Styvenson Valentim segue para a tentativa de reeleição ao Senado, sustentado pelo argumento de ser a “vontade do povo”, em referência ao desempenho nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento.

Allyson Bezerra faz acordão com oligarquias e se une a Alves e Maia

                                                                                                                                  Foto: Divulgação

“A notícia no Rio Grande do Norte é o fechamento da chapa, Alves, Maia e Rosados. É mais um acordão com o objetivo de eleger seus filhos, seus sobrinhos e de reeleger os seus apadrinhados políticos. Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos. Eu me chamo Allyson Bezerra e não estou no lado das oligarquias. Não estou do lado de quem discute o futuro do nosso estado a portas fechadas. Eu estou do lado de quem acredita em mudança. (…) E você, de que lado está?”

Por mais incrível que possa parecer, o trecho transcrito acima pertence ao então neófito na política, em 2018, o candidato a deputado estadual Allyson Bezerra, servidor da Ufersa, presidente do Sindicato dos Técnicos da Universidade, em um dos seus primeiros vídeos virais.

Foi assim que ele entrou na política: abominando as oligarquias que detinham o poder no RN há décadas.

Cortando para 2026, oito anos depois, o político “independente” mudou totalmente os princípios e agora faz parte do acordão que ele tanto criticava: uniu os tradicionais Alves e Maia em torno do seu nome. Após a nota divulgada nesta segunda-feira (20) por José Agripino Maia (UB), João Maia (PP) e Zenaide Maia (PSD), em boas-vindas a Walter Alves (MDB), em torno do projeto de pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado, a fala do prefeito de Mossoró deveria ser: “Eu me chamo Allyson Bezerra e estou no lado das oligarquias!”.

A aliança política que deverá unir as famílias outrora opostas no mesmo palanque de Allyson foi todo feito a portas fechadas, da forma como ele antes desprezava. Fora as notas oficiais divulgadas no começo da semana pela Federação União Progressistas e por Walter Alves, nenhuma das partes fez qualquer declaração oficial ou concedeu entrevista sobre as conversas que ocorrem há meses para definir o futuro do Rio Grande do Norte.

A consolidação desse bloco político representa uma inflexão simbólica na trajetória de Allyson Bezerra. No início da carreira, o prefeito de Mossoró construiu discursos de enfrentamento às oligarquias tradicionais da política potiguar. Agora, realiza um movimento que busca ampliar sua competitividade eleitoral e garantir musculatura política para a disputa estadual.

“Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos”, citava Allyson, que não rejeita mais a política familiar que ele nominalmente criticou. Mais além, pretende colocar sua própria família na carreira política. Sua esposa, Cínthia Pinheiro (PSD), já foi lançada por ele pré-candidata a deputada estadual, como uma forma de ampliar seus braços de poder também na Assembleia Legislativa.

“Primeiro foi eleito deputado combatendo as oligarquias. Aí agora ele se junta com o que tem de maior oligarquia no Estado, que estava enterrada e ele está ressuscitando, que são Agripino Maia e Walter Alves, os Maias e os Alves. Ou seja, Allyson Bezerra vai destruindo todo o discurso com que ele se elegeu, mostrando que para ele não importa princípios, coerências, para ele importa simplesmente o desejo do poder”, afirmou ao Diário do RN.

PT confirma Cadu Xavier como candidato ao governo-tampão do RN

                                                                                                                              Foto: Divulgação

O Partido dos Trabalhadores confirmou que o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, será o nome da sigla para disputar a eleição indireta ao Governo do Rio Grande do Norte, prevista para ocorrer na Assembleia Legislativa após a saída da governadora Fátima Bezerra, que deve deixar o cargo em abril para concorrer ao Senado.

A definição foi anunciada pela presidente estadual do PT, Samanda Alves, que afirmou que o partido já trabalha há mais de um ano com a estratégia eleitoral para 2026 e que Cadu é o nome apresentado tanto para a eleição indireta quanto para a disputa direta de outubro.

A decisão ocorre após o vice-governador Walter Alves comunicar oficialmente que não assumirá o comando do Executivo estadual no período de vacância e que seguirá outro caminho político, rompendo com o grupo governista e alinhando o MDB à oposição liderada pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.

Com a recusa de Walter em assumir o cargo, o governo será definido por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa, onde o cenário é considerado complexo para o PT. A base governista não possui maioria consolidada, enquanto a oposição, capitaneada pelo PL, tem forte presença na Casa, o que torna a articulação política decisiva para o desfecho da votação.

Mesmo diante das dificuldades, o PT sustenta que a escolha de Cadu Xavier representa a continuidade administrativa do atual governo. Em manifestações públicas, o secretário destacou que o grupo seguirá defendendo as políticas implementadas nos últimos oito anos e afirmou que “não faltou coragem” para enfrentar os desafios do Estado.

Hermano aceita convite para se filiar ao MDB e ser vice de Allyson Bezerra nas eleições

                                                                                                                                      Foto: Divulgação

O deputado estadual Hermano Morais afirmou, em entrevista para a 98 FM Natal, que aceitou os convites do MDB para se filiar ao partido e ser o vice da chapa majoritária com o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), nas eleições para 2026.

De acordo com o parlamentar, o convite foi realizado em uma reunião realizada com o presidente do MDB e vice-governador do Estado, Walter Alves, e fazia parte de tratativas que ocorriam há meses. O encontro entre ambos ocorreu na segunda-feira (19). Morais destacou que a decisão foi consolidada após uma conversa com o presidente do PV (seu partido atual), Rivaldo Fernandes.

“Nós aceitamos o convite de Walter Alves durante essa conversa que nós tivemos, que concluímos na última segunda-feira (19), e foi feito o convite para compor a chapa majoritária, já que o MDB já se definiu pelo apoio à candidatura (do grupo de Allyson)”, disse.

Hermano relatou que, para a consolidação da chapa, ainda será necessário o cumprimento de outras etapas dentro das articulações, como a mudança de partido. Ele pontuou que a chapa será oficialmente confirmada “no momento certo”.

“Eu gosto do desafio e acho que eu dei minha contribuição no Legislativo, no Ministério do Natal, no Legislativo Estadual, e eu quero dar minha contribuição também no Executivo Estadual. Nós vamos ainda cumprir algumas etapas, como a mudança de partido, né, deve acontecer até março. No momento certo, a chapa será oficialmente apresentada”, declarou.

O deputado ressaltou ainda que o anúncio da candidatura de Allyson se faz necessário.

“Antes disso, né, haverá o pronunciamento do prefeito Alisson Bezerra de Motorola, como pré-candidato ao governo do estado. Então, vamos aguardar o cumprimento dessas etapas. Mas eu diria que nós já temos um entendimento nesse sentido. Estamos juntos nessa chapa, para, se Deus quiser, criar um momento novo para o Rio Grande do Norte”, concluiu.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Oposição alcança assinaturas e avança com CPI para investigar caso Banco Master


A oposição no Senado Federal alcançou, nesta segunda-feira (19), o número mínimo de assinaturas para viabilizar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Ao todo, 42 senadores subscreveram o requerimento, superando a maioria absoluta da Casa.

A iniciativa é de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que propôs um prazo inicial de 90 dias para os trabalhos da comissão. Além da CPI no Senado, também tramitam no Congresso pedidos para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e outra CPI na Câmara dos Deputados, o que amplia a pressão política em torno do caso.

O avanço dos requerimentos coloca o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no centro das atenções, já que cabe a ele a leitura do pedido em plenário para que a CPI seja oficialmente instalada. O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, foi alvo de liquidação extrajudicial após o Banco Central apontar graves problemas financeiros na instituição.

Entre os signatários estão líderes da oposição, como Tereza Cristina (PP-MS), Carlos Portinho (PL-RJ), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Carlos Viana (Podemos-MG), mas também nomes ligados à base do governo Lula, a exemplo de Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), evidenciando que o caso ultrapassa divisões ideológicas no Senado.

Rogério Marinho convoca coletiva em meio à definição da chapa da oposição para 2026


O senador Rogério Marinho (PL) convocou uma entrevista coletiva para esta quarta-feira (21), às 10h, na sede do Partido Liberal, em Natal. A convocação ocorre em meio às articulações finais da oposição para a formação da chapa que disputará as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte.

Presidente estadual do PL e líder da oposição no Senado Federal, Rogério deve tratar do cenário político estadual e das definições eleitorais do grupo oposicionista. A expectativa é que o senador confirme que não será candidato nas próximas eleições e anuncie oficialmente a composição da chapa da oposição, que vem sendo discutida nas últimas semanas.

A coletiva será realizada na Casa do PL-RN, localizada na Rua Vereadora Maria Queiroz, nº 2346, no bairro Lagoa Nova, zona Sul de Natal. Profissionais de imprensa foram convidados a acompanhar o encontro.